terça-feira, 10 de julho de 2012

Bons tempos


Moravam na mesma cidade. Onde America nunca havia pensado estar, mas viveu em regime temporário, como paraíso que deveria desocupar em breve, castigo. De onde Zé Vieira mal havia saído desde os dois primeiros anos infantis, ao chegar do sul levado pela família de mãe herdeira do socialismo e pai aristocrata. Exceto por uma estadia em país da realeza, quando ficou entediado da alter cultura. E pela pequena temporada em terras coloniais que o deixaram para sempre enlevado por barcos e oceanos.
Encontravam-se uma vez por semana, durante dois dias, era tudo intenso. Ela chegava, eles bebiam, jantavam, conversavam, viam filmes em meio a carícias, faziam coisas, se amavam. De vez em quando, assistiam a partidas de futebol. Ele preparava frutos do mar com arroz e ela lavava a louça. Ele dizia, nunca mulher havia tocado a pia da cozinha por aqui para juntar os restos da noite. Batia carinhosamente no traseiro dela e comentava, isso me excitaNunca mulher havia voltado tão repetidas noites simples e adoráveis. Ela respondia, não posso apenas vir, ter refeições, ser amada e nada fazer além de tanto amar, pelo menos vou limpar essa sujeira maravilhosa. Ui! (para os tapinhas de afeto). Tomavam café e discutiam assuntos sortidos, chupavam laranja, comiam biscoito recheado.

Nos intervalos ausentes em corpo e voz, não obstante trocavam mensagens diárias, eram muitas, coisa de gente doida de querer bem. Falavam as besteiras mais bobas, como foi seu dia?; tomei sorvete e passeei no parque; que vai fazer hoje?; pretendo dormir mais cedo porque estou indisposta e com saudade...vai pra cama mesmo porque você é muito insone e a saudade passa com o sono; estou lendo seu livro quase no fim, belo; e hoje você aprendeu coisas bonitas no evento?; sim foi ótimo e fiquei um pouco sapiente; sou orgulhoso da sua dedicação pois ontem assisti a um espetáculo mas achei sisudo; e por aí iam as palavras. 
Foram apartados por circunstâncias indesejáveis. Tiveram percalços propensos ao boicote por eles mesmos e pelos maldosos que se incomodavam com tamanhas dimensões felizes. Puderam ter um reencontro a cada ano, de forma nervosa, porque à escolta do breve. Prestes a acontecer de novo e depois talvez, ainda mais por mais tempo.

c'est n'importe quoi!

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