terça-feira, 10 de julho de 2012

2° Diário do ônibus



 Já era noite, voltava eu e minha mãe de um dia promissor de compras. Inicio de mês é um dia feliz para um consumidor. Oh consumismo! Tento não ser consumida pelo mesmo.. Faz parte.

Já sentadas, uma conhecida minha e de minha mãe senta em nossa frente. E começa a conversar com a minha mãe.
Não lembro o princípio dessa conversa, mas foi a partir de algo assim que comecei a prestar atenção:
 - Eu faço limpeza, limpeza de corpos numa faculdade.
Minha expressão imediata: '-'
Não tô julgando ninguém, mas fiquei chocada, não é sempre que a gente escuta isso, entende? Ainda mais com detalhes.
- E tem corpos de todas as cores, haha. Uns amarelados, uns já meio roxos.

Sim ela ria. O que me fascinava. Pensava eu, não deve ser fácil ter um emprego assim, lidar com a realidade da morte. Mas ela ria.
- E semana que vem vai chegar mais um caminhão com uma pilha de corpos. Sorria.

Mas avaliando pela lógica, tem um lado muito bom nisso. Vejam bem, os jovens que hoje estudam medicina, já lidam na prática com o corpo humano. E o risco de se cometer erros com as pessoas vivas, é bem menor. Ainda bem.
 

Mas apesar da lógica, escutar aquilo foi espantoso. O que deve ser interessante é falar sobre do trabalho num jantar em família né.


Conversa que me lembrou a maravilhosa obra de Rembrandt - A Lição de Anatomia do Doutor Tulp (e é meu quadro favorito. Sonho em ter um desses no meu quarto).

Nenhum comentário:

Postar um comentário