segunda-feira, 30 de julho de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
Cogumelos gigantes?
Uma ilhota próxima da África e do Oriente Médio tem uma planta que parece uma reprodução de bonsai em larga escala, ou um cogumelo gigante com cara de árvore.
E sim, a Dracaena cinnabari, cresce no meio desse ambiente bizarramente árido formando essa estrutura naturalmente. Isso porque ela divide o habitat com árvores como os baobás e outras coisas tão curiosas quanto.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Martha Medeiros em - Feliz por nada
Eu ando lendo este livro de Martha Medeiros e tô adorando,
adorando mesmo! Achei de inicio que seria um livro de autoajuda, coisa assim.
Mas não, é um livro que fala de coisas atuais, mas não apenas isso, assuntos
por vezes fugidos – como é próprio do cotidiano – de questões universais, como
o amor, a família e a amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor,
como falar de Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e
cineastas que são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida
oferece e muitas vezes se deixa passar. Feliz por nada, afirma Martha Medeiros,
é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por
isso menos visceral.
E é muito bom parar um instante para refletir sobre essas coisas que fazem parte da nossa vida. Recomendo.
E é muito bom parar um instante para refletir sobre essas coisas que fazem parte da nossa vida. Recomendo.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Feliz por nada (livro)
Mulheres na Pressão
Camille Paglia, em entrevista à revista Veja, disse que as mulheres andam tão estressadas que muitos homens desistem da ideia de casar, e para ilustrar esse ritmo frenético que estamos vivendo, pergunta: alguém lembra de ter tido uma avó agitada?
Camille Paglia, em entrevista à revista Veja, disse que as mulheres andam tão estressadas que muitos homens desistem da ideia de casar, e para ilustrar esse ritmo frenético que estamos vivendo, pergunta: alguém lembra de ter tido uma avó agitada?
Vamos por partes.
De fato, ninguém teve uma avó
agitada, era outra época e elas se instalavam muito confortavelmente no papel
de guardiãs da família. Talvez fossem mulheres plenamente realizadas ou
diabolicamente frustradas, quem vai saber? Mas agitadas, não eram mesmo, o que
pode ser uma benção ou uma condenação. A pergunta que devolvo: alguma mulher
hoje gostaria de reproduzir a vida que sua avó teve?
No entanto, concordo quando
Camille Paglia diz que as mulheres andam estressadas demais, ainda que eu não
acredite nessa história de que os homens estão desistindo de casar: todos nós,
homens e mulheres, sonhamos em ter uma relação estável e legal. Mas para isso
acontecer, não pode haver competitividade, e talvez seja essa a razão do nosso
stress: estamos competindo bobamente com os homens, infantilmente com nossas
avós e estupidamente com nós mesmas. Ainda desejamos provar para o mundo que
yes, we can.
Claro que as mulheres podem tudo, está sacramentado. Mas será que devemos querer tudo? Onde foi parar nosso critério de seleção? Já não sabemos distinguir o que é prioridade e o que pode ficar em segundo plano: tudo virou prioridade. E só uma mulher supersônica consegue ter eficiência absoluta em todos os quesitos: melhor mãe, melhor amiga, melhor filha, melhor namorada, melhor esposa, melhor profissional, melhor dona-de-casa e melhor bunda. É morte por exaustão na certa.
Proponho que a gente dê uma folga
para nós mesmas. Vamos mudar de assunto. Que se pare de falar de mulheres que
conseguiram engravidar aos 57 anos, que perderam 30 quilos em duas semanas, que
beijaram 28 caras em duas noites de carnaval, que aprenderam a ganhar dinheiro
sem sair de casa, que visitaram 46 países nos últimos 10 anos, que sobreviveram
a tragédias, que conseguiram dominar as melenas, que são executivas completas,
que possuem duas centenas de sapatos, que três semanas depois de separar já
estão felizes nos braços de outro, que preparam um risoto de funghi em 10
minutos, que têm disposição para rolar no chão com os filhos, que assistiram a
todos os filmes em cartaz, que aparentam ter 15 anos menos, que exibem uma
barriga de tanquinho um mês depois de parir, que lembram trechos inteiros dos
clássicos que leram na época da faculdade, que superaram traumas, que arranjam
tempo pra fazer pilates, ioga, musculação e drenagem linfática. Dá orgulho, eu
sei, mas é uma competência e uma autopromoção que beira o irreal.
Estou com saudades de ler e ouvir
sobre as adoráveis qualidades dos homens. Eles merecem voltar a serem
valorizados. Isso ajudaria a reduzir nosso stress e a nos dar uma situada.
Com menos holofotes, deixaremos
de nos cobrar tanto e recuperaremos um pouco da paz de nossas avós.
pág. 45
pág. 45
segunda-feira, 23 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Linda!
Cínthya Verri é linda. E que mulher! Anteontem eu estava vendo a sua entrevista no Jô Soares e fiquei impressionada. É tão bom ver um cérebro que pensa.
Acho que acima de uma mulher inteligente, existe a interessante. Porque a mulher interessante não é "técnica" como normalmente a mulher inteligente é. Ela é aquela que absorve todo o conteúdo de estudo ao longo de sua vida e vai tirando conclusões significantes, daquilo que viu e ouviu. Uma filtragem de ideias.
E além de tudo também é engraçada e divertida. Um exemplo de mulher. Vaidosa, inteligente, linda e interessante.
Fazia muito tempo que eu não via uma mulher tão linda assim.
E quando eu falo de beleza, me refiro a uma mulher que tem um conjunto de qualidades.
E Olha Fabrício Carpinejar que se cuide, haha.
Mas agora voltando a falar sobre a entrevista de Cínthya, eu fiquei feliz de ver que alguém me entende, porque eu também sou muito assim de falar sobre o que gosto e não gosto numa relação, no caso, dialogar a relação. E no fim das contas da sempre tudo errado rs. Mas é ai que esta, não é que dê errado, simplesmente a coisa acontece ou não acontece. A vida é cíclica. E se o mundo gira as coisas na tua vida também se movimentam. E o que permanece se intensifica e o que não permanece não foi tua culpa. Como Cínthya diz: – As pessoas são egocêntricas, acham que se o seu namorado(a) termina a relação, foi por sua culpa, "porque sou gorda", "porque sou feia". Não é assim amor, a vida é um grande acaso. Tu nasceste por acaso, entre milhares de outros espermatozoides. Tu conheceu teu namorado(a) por acaso. Terminaram por acaso. Ele conheceu outra ou você conheceu outro. Não tem mistério. E não foi tua culpa.
O importante é a tentativa. Sempre a tentativa.
É por isso que eu não fico por aí falando de problemas, "chorando as mazelas", triste. Não tem porque ficar triste. E isso não significa frieza, é plenitude.
E como diz Dorival Caymmi: A busca da felicidade já justifica a existência.
Sem stress. Viva da forma mais leve possível.
Mostrando maturidade e competência, Cínthya Verri lança seu primeiro livro, Constantina
A gaúcha Cínthya Verri lança o livro Constantina, na livraria Scriptum (Editora Edith, 80 páginas, R$ 25). Com essa bela e promissora estreia na literatura, a poeta retrata sua infância no município onde nasceu, 355 quilômetros ao Norte de Porto Alegre. Ela explica, por meio da poesia: “Nasci em Constantina/ meus pais me registraram na capital/ até meu nascimento foi uma mentira”.
Constantina torna-se, assim, uma espécie de Macondo, com seus mistérios, suas curvas, suas sombras, suas sobras. Dividido em três partes (“Destino”, “Fatalidade” e “Acaso”), Constantina é marcado por versos maduros, pungentes, curtos, sempre na medida. Como quem canta uma canção para espantar o medo, Cínthya encara, armada de palavras, o que pode haver de amargo na palavra terrível, mas sem exageros, sem excessos desnecessários. Ela meio que revisita seus medos infantis para melhor perceber as tantas mentiras adultas.
Cínthya tem um olhar insistente. Ela retira, como quem pega emprestado, o que pode haver de cômico e trágico e simplesmente transforma: “Meu desespero não é preto e branco, é colorido”. Poeta nasce poeta. Desde sempre, desde os primórdios, parece que a poesia marcou de forma profunda a vida, os momentos da autora: “Minha ama-seca/ esfriava o leite noturno/ eu mentia/ ainda está quente/ ainda está quente/ só para vê-la jogar a brancura/ de uma xícara a outra/ sem derramar sequer uma gota”. Assim é a poesia de Cínthya Verri: branca quando tem de ser branca, preta quando é de noite, azul quando tem de ser.
Cínthya não aceita fingimentos. Família, farsas, felicidades, tudo é turbilhão. Escrever um poema é finalmente chegar. “Só é tarde para os outros.” Para o poeta, tempo é sinônimo de caos, de alegria. O tempo, para Cínthya, corre amorosamente para dentro, num turbilhão feito de coisas vivas. Por isso tanta memória. Não tem a dureza, a poesia de Cínthya prefere, apesar do cinza, do tempo que pode ser temporal, a beleza, a essência do aço em flor.
Cínthya prefere – é isso, na maioria das vezes, é muito bom – a concisão para explorar o máximo que sobra, que explode de cada situação, de cada coisa que pulsa. A poetisa reduz para melhor atingir, para tocar com mãos de gente o essencial. Que pode ser fogo, que pode ser água. A poesia de Cínthya é bonita, pois vem do trovão e é feita de flashes. Quase todos os poemas são carregados de uma luminosidade que atinge o simples, que chega a ser suficiente.
Se ela se desdobra para mostrar uma visão um tanto sombria do mundo, também é verdade que a poetisa gaúcha não deixa de lado o essencial para a feitura do bolo, do poema. Cínthya, com ternura, é cheia de zelo, gosta de silêncios que, aos poucos, vão se transformando, pura alquimia, para ganhar cores e nomes. Raivas, nostalgias, melancolia, fracassos, diferenças. Não são apenas palavras. Tudo é o que parece ser, quando entra a faca do verso, que amplia o choque, que não coagula alma e sentimento.
Os poemas de Constantina têm algo de sol e lua, têm algo de terra que suja a face. Cínthya adianta para o novo o seu processo de lucidez e o faz de forma lúdica, fato que empresta aos poemas frescor e qualidade. Se a poeta respeita a página em branco, também pode ser verdade que ela retira, apesar de todas as sombras acima citadas, qualquer peso que porventura se sobreponha ao ato de escrever.
“Jogo no fogo/ a ver o que sobra/ o que fica sou eu.” Certas coisas são incomunicáveis: “Não entrego/ minha solidão/ nem a mim mesma”. Maior que o feio, existem beijos inesquecíveis. Os poemas de Constantina carregam densidades, mas trazem neste balaio estranho asas e ares de pura leveza, apesar da dureza, do cimento que insiste em versos como estes: “Me descalço de graça/ preciso sangrar os pés/ finos e magros/ vejo as vidraças da pele/ eu me desfaço a pedradas/ entre as veias”.
Não é preciso dizer mais. Cínthya, dentro do rude, contra malefícios, mentiras, murros, parece que insiste e prefere a suavidade. Sensível, bela, ela sacou que “só a música me enxerga”. Partida, abrindo-se à força, sempre partindo, indo para outras estações, a poeta vai de encontro aos contrários da vida. “As palavras não doem/ mais do que um soco.” Mas a vida dá voltas e voltas. De boba, Cínthya não tem nada: “Planejo mirabolâncias sangrentas”. A poeta, se não despreza, contenta-se: “Só me reconheço/ com pouco”.
Talentos plurais
Natural de Constantina e radicada em Porto Alegre, Cínthya Verri, de 31 anos, é médica e mantém um quadro semanal chamado “Quase perfeito” na Rádio Gaúcha, além de colaborar com crônicas nas rádios Ipanema e Elétrica. Compositora, cantora, desenhista, blogueira, prepara um especial de músicas homenageando o artista francês Serge Gainsbourg.
medos, mentiras, verdades
segunda-feira, 16 de julho de 2012
"Olhe para o céu. Não é apenas escuro e preto ... O preto é, na verdade, azul profundo. E por lá: azul mais claro, e soprando através do blues e negritude os ventos rodam através do ar e, em seguida, brilhando, queimando, irrompendo: As estrelas! E você vê como elas rugem sua luz. Onde quer que olhemos, a complexa magia da natureza esta cheia de chamas diante de nossos olhos."
:: Alice X. Zhang
quarta-feira, 11 de julho de 2012
"Na moral" E que moral que tu tem Bial?
Quem és tu Pedro Bial? O apresentador do reality show Big Brother Brasil, que "a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social?" E o que mais me indigna é este cidadão Pedro Bial querer fazer um programa sobre moralidade, e que moral tem uma pessoa que apresenta (ou nesse caso, apresentou) um programa sem valor, sem ética e sem moral alguma, o tal BBB, com o único intuito de arrecadar dinheiro destas pessoas com pobreza mental. E nunca se mostrou incomodando por isso, pelo contrário, já apresentou mais de Dez BBB. Pensa comigo, em média, vinte e nove milhões de pessoas ligam a cada paredão. Garanto que são os mesmos vinte e nove milhões que votam errado, nos homens grandes de caráter pequeno. A pura alienação. Pedro Bial banca um “discípulo de Sócrates”, “dono da verdade” só porque em cada eliminatória ditava um “batatinha quando nasce...” e acha que pode apresentar um programa como esse. “Na Moral” é o nome do seu programa. Ah isso é rir demais da cara das pessoas. Olha realmente a televisão brasileira sofre um grave problema no seu conteúdo. E não falo só da Rede Globo não, mas são várias emissoras que querem mais é que as pessoas continuem ignorantes, alienadas e votando errado mesmo. Como manda o padrão. “Salve Salve.”
BIG BROTHER BRASIL (Luiz Fernando Veríssimo)
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço... A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... Encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos, na mesma casa, a casa dos “heróis” ,como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE... Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados. Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia. Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo. O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. E aí vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano".
Veja o que está por de tra$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? 520 casas populares ou comprar mais de 5.000 computadores!) Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa, ir ao cinema, estudar, ouvir boa música, cuidar das flores e jardins , telefonar para um amigo , visitar os avôs , pesca., brincar com as crianças, namorar... Ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Bons tempos
Moravam na mesma cidade. Onde America nunca havia pensado estar, mas viveu em regime temporário, como paraíso que deveria desocupar em breve, castigo. De onde Zé Vieira mal havia saído desde os dois primeiros anos infantis, ao chegar do sul levado pela família de mãe herdeira do socialismo e pai aristocrata. Exceto por uma estadia em país da realeza, quando ficou entediado da alter cultura. E pela pequena temporada em terras coloniais que o deixaram para sempre enlevado por barcos e oceanos.
Encontravam-se uma vez por semana, durante dois dias, era tudo intenso.
Ela chegava, eles bebiam, jantavam, conversavam, viam filmes em meio a
carícias, faziam coisas, se amavam. De vez em quando, assistiam a
partidas de futebol. Ele preparava frutos do mar com arroz e ela lavava a
louça. Ele dizia, nunca mulher havia tocado a pia da cozinha por aqui para juntar os restos da noite. Batia carinhosamente no traseiro dela e comentava, isso me excita. Nunca mulher havia voltado tão repetidas noites simples e adoráveis. Ela respondia, não posso apenas vir, ter refeições, ser amada e nada fazer além de tanto amar, pelo menos vou limpar essa sujeira maravilhosa. Ui! (para os tapinhas de afeto). Tomavam café e discutiam assuntos sortidos, chupavam laranja, comiam biscoito recheado.
Nos intervalos ausentes em corpo e voz, não obstante trocavam mensagens
diárias, eram muitas, coisa de gente doida de querer bem. Falavam as
besteiras mais bobas, como foi seu dia?; tomei sorvete e passeei no parque; que vai fazer hoje?; pretendo dormir mais cedo porque estou indisposta e com saudade...; vai pra cama mesmo porque você é muito insone e a saudade passa com o sono; estou lendo seu livro quase no fim, belo; e hoje você aprendeu coisas bonitas no evento?; sim foi ótimo e fiquei um pouco sapiente; sou orgulhoso da sua dedicação pois ontem assisti a um espetáculo mas achei sisudo; e por aí iam as palavras.
c'est n'importe quoi!
2° Diário do ônibus
Já
era noite, voltava eu e minha mãe de um dia promissor de compras. Inicio de mês
é um dia feliz para um consumidor. Oh consumismo! Tento não ser consumida pelo
mesmo.. Faz parte.
Já
sentadas, uma conhecida minha e de minha mãe senta em nossa frente. E começa a
conversar com a minha mãe.
Não
lembro o princípio dessa conversa, mas foi a partir de algo assim que comecei a
prestar atenção:
- Eu faço limpeza, limpeza de corpos numa faculdade.
- Eu faço limpeza, limpeza de corpos numa faculdade.
Minha
expressão imediata: '-'
Não tô
julgando ninguém, mas fiquei chocada, não é sempre que a gente escuta isso,
entende? Ainda mais com detalhes.
- E tem
corpos de todas as cores, haha. Uns amarelados, uns já meio roxos.
Sim ela
ria. O que me fascinava. Pensava eu, não deve ser fácil ter um emprego assim,
lidar com a realidade da morte. Mas ela ria.
- E
semana que vem vai chegar mais um caminhão com uma pilha de corpos. Sorria.
Mas
avaliando pela lógica, tem um lado muito bom nisso. Vejam bem, os jovens que
hoje estudam medicina, já lidam na prática com o corpo humano. E o risco de se
cometer erros com as pessoas vivas, é bem menor. Ainda bem.
Mas apesar da lógica, escutar aquilo foi espantoso. O que deve ser interessante é falar sobre do trabalho num jantar em família né.
Mas apesar da lógica, escutar aquilo foi espantoso. O que deve ser interessante é falar sobre do trabalho num jantar em família né.
Conversa que me lembrou a maravilhosa obra de Rembrandt - A Lição de Anatomia do Doutor Tulp (e é meu quadro favorito. Sonho em ter um desses no meu quarto).
Diário do ônibus: O princípio
Eu não tenho carro. E dependo dos ônibus da minha cidade
para me locomover, em fim, até ai nada demais. Mas o ponto que faço questão de
compartilhar com ambos são todas as coisas que presencio no ônibus, ao longo da
viajem até meu destino final.
E eu sempre dizia para a minha mãe, á toa: Ainda vou escrever sobre essas coisas que vejo no ônibus.
E eu sempre dizia para a minha mãe, á toa: Ainda vou escrever sobre essas coisas que vejo no ônibus.
E cá estou eu.
Surpresas de um cotidiano cíclico.
1° Diário do ônibus: Ontem eu sentada no lugar considerado privilegiado do ônibus: a janela. Comecei a escutar um Clác! Clác! Sem parar, exceto pelo intervalo de 1segundo. Um homem atrás de mim cortava as unhas com um cortador de unha. Sim, no ônibus.
1° Diário do ônibus: Ontem eu sentada no lugar considerado privilegiado do ônibus: a janela. Comecei a escutar um Clác! Clác! Sem parar, exceto pelo intervalo de 1segundo. Um homem atrás de mim cortava as unhas com um cortador de unha. Sim, no ônibus.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Cláudia Alencar tem 61 anos, acredita?!
Me fala onde esta essa fonte da juventude, por favor? :}
Se achegue mais: - 20 perguntas com Cláudia Alencar
terça-feira, 3 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
TRE cassa mandato do vereador de Curitiba João Cláudio Derosso
Parlamentar pode e afirmou ao G1 que vai recorrer da decisão.
Maria Goretti David Lopes é a primeira suplente para assumir o cargo.
Maria Goretti David Lopes é a primeira suplente para assumir o cargo.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinou nesta quarta-feira (27), para efeitos de antecipação de tutela, a cassação do mandato do vereador João Claudio Derosso (sem partido). Conforme liminar assinada pelo juíz Luciano Carrasco, o presidente da Câmara de Curitiba, João Luiz Cordeiro (PSDB), mais conhecido como João do Suco, tem dez dias para empossar a tucana Maria Goretti David Lopes, primeira suplente do partido.
Maria Goretti David Lopes requereu uma cadeira no legislativo municipal após a desfiliação de Derosso do PSDB. O nome do parlamentar apareceu em uma série de denúncias sobre supostas irregularidades nos contratos de publicidade firmados pela Câmara enquanto ele estava na presidência da Casa. Para evitar o processo de expulsão da legenda, Derosso anunciou sua saída.
“(...) no documento de desfiliação (f. 84) se tem, tão somente, pedido de desfiliação do PSDB. Singelo. Simples. Sem maiores explicações, nem ao partido, nem aos eleitores, nem à sociedade. É o que basta para justificar a perda de mandato: o réu não invocou em nenhuma linha os motivos indicados na resolução para justificar sua desfiliação. Negar a validade daquele informe famélico indicado por ocasião da desfiliação é o mesmo que negar o direito do Partido – obrigando-o a sempre investigar na esfera judicial a motivação do membro do partido, implicando em grave distorção do próprio sistema”, diz trecho da liminar concedida por Carrasco.
saiba mais
O desembargador citou ainda o parágrafo terceiro do artigo 15 do Estatuto do Partidário que prevê que a perda de mandato para quem se desligue do partido. Para Carrasco, não seria correto manter Derosso, sem partido, até o fim da legislatura, e negar o direito a suplente que está protegida Resolução 22.610/2007 TSE.
Derosso pode recorrer da decisão e é isso que fará segundo declaração dada ao G1. Ele afirmou que soube da decisão do TRE pela reportagem e que certamente iria procurar revertê-la. A intenção, segundo ele, é cumprir toda esta legislatura. Derosso não poderá ser candidato à reeleição nestas eleições, porque a legislação eleitoral exige que o candidato seja filiado a algum partido há, pelo menos, um ano.
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