imagem: arte digital de Anja Millen
"A serpente que me segue nos últimos dias carrega três
chaves e uma lágrima pesada demais para a floresta.
Meu trajeto tumba adentro sibila como o veneno que a impele para a curva das pequenas sombras. Xifóide, xifóide: nossas colunas, em uníssono, declamam.
Pirâmide secreta ao redor das peles que batem uma na outra como onda. A cavalaria está pronta, prestes a nuvens.
Rastro, rastro azul cobalto de uma manhã vertida no pranto da tempestade anciã. Unhas de adaga romana perfuram o dorso de um manto real. Nenhum soberano sobre a terra seca das palavras. Império é a lágrima da serpente e o chocalho de sua chave tríplice.
Erga-te, demente! As escadas não existem; nossos pés erram por colinas amarelas, semelhantes ao rio das alturas. Cabelos longos, longos demais: cinzas púrpuras.
Habitantes surgem vagarosamente, presos ao horizonte.
Guizo e erva-de-guiné, para a lamúria dos decapitados sobre o líquen: minúsculos roedores, os vocábulos recitados sob as unhas rastreadoras e fermentos de todos os tipos. Cabeças rolam de suas roldanas e esta é a malha pensante de meu discurso sinuoso. Procuro a fonte de um fruto há muito calcificado.
Meu trajeto tumba adentro sibila como o veneno que a impele para a curva das pequenas sombras. Xifóide, xifóide: nossas colunas, em uníssono, declamam.
Pirâmide secreta ao redor das peles que batem uma na outra como onda. A cavalaria está pronta, prestes a nuvens.
Rastro, rastro azul cobalto de uma manhã vertida no pranto da tempestade anciã. Unhas de adaga romana perfuram o dorso de um manto real. Nenhum soberano sobre a terra seca das palavras. Império é a lágrima da serpente e o chocalho de sua chave tríplice.
Erga-te, demente! As escadas não existem; nossos pés erram por colinas amarelas, semelhantes ao rio das alturas. Cabelos longos, longos demais: cinzas púrpuras.
Habitantes surgem vagarosamente, presos ao horizonte.
Guizo e erva-de-guiné, para a lamúria dos decapitados sobre o líquen: minúsculos roedores, os vocábulos recitados sob as unhas rastreadoras e fermentos de todos os tipos. Cabeças rolam de suas roldanas e esta é a malha pensante de meu discurso sinuoso. Procuro a fonte de um fruto há muito calcificado.
Erga-te, avulso maquiavélico!
Os eucaliptos fazem companhia às cabanas, túmulo dos aromas.
Surgem das águas, vêm pelo sal mais raro. Punhos caem, pedras levitam. Meu
lábio traz a sentença.
Negror, negror dos céus que são teus olhos abertos, imantados na profecia de um diálogo regurgitado. Eis a floresta onde tua lágrima gravita. Plúmbea sinfonia pelas cordas da aurora: tudo que nos resta. Junto a mim, antes teu pó aromático, meu neófito, do que as rudes estrofes que nada mais ressuscitam.”
Negror, negror dos céus que são teus olhos abertos, imantados na profecia de um diálogo regurgitado. Eis a floresta onde tua lágrima gravita. Plúmbea sinfonia pelas cordas da aurora: tudo que nos resta. Junto a mim, antes teu pó aromático, meu neófito, do que as rudes estrofes que nada mais ressuscitam.”
Andréia Carvalho Gavita/ Paulo Sposati Ortiz*

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