sábado, 25 de fevereiro de 2012


O Maior de todos os filósofos

- Sócrates foi uma autoridade intelectual sem precedentes em seu tempo, mudou os rumos da civilização.

Sócrates foi muito mais do que um filósofo. Ele dominou o cenário intelectual e político de Atenas, enterrou de vez o politeísmo na Grécia Antiga, serviu de espelho para dezenas de jovens em busca de conhecimento e, como se não bastasse, exerceu uma influência poderosa sobre toda a civilização ocidental.

Oráculo

Sócrates dizia que o começo da filosofia se dava quando as pessoas duvidavam de suas próprias certezas, admitiam a ignorância e abriam mão dos dogmas. E um fato que viria a marcar o resto da sua existência foi á declaração pelo oráculo de Delfos de que ele era o mais sábio dos homens.
Atônito diante dessas palavras, Sócrates ficou se perguntando como ele poderia ser esse homem tão sábio, logo ele que se considerava um ignorante. A partir dessas reflexões, o filósofo concluiu que sua sabedoria só poderia residir na consciência que tinha de fato de que nada sabia. Por isso, cunhou a famosa frase: "Só sei uma coisa: é que nada sei."

Autoconhecimento

As palavras do oráculo soaram aos ouvidos de Sócrates como a enunciação de uma missão. E sua missão era ir em busca dos que se julgavam sábios e mostrar-lhes a sua ignorância.
Na praça pública de Atenas, Sócrates questionava seus conhecimentos até provar á própria pessoa - e quem os assistia - que a sua sabedoria era ilusória.
Segundo Sócrates, as crenças humanas podem esconder desejos secretos, que usam o pensamento para gerar ideias pretensamente lógicas. Para evitar esse engodo, Sócrates dizia que não poderia haver filosofia sem autoconhecimento. E aí surge outra frase famosa do filósofo: "Conhece-te a ti mesmo."


Diálogos

Sócrates desenvolveu uma investigação quase compulsiva pelo significado das palavras. Seu objetivo, porém, não era chegar a definições e conceitos definitivos. O que lhe interessava era apenas a troca de ideias, a conversa. A meta da discussão não era o assunto em si, mas o interlocutor.


A busca da cura

Numa fala atribuída a Sócrates, ele teria dito que se comparava aos médicos, na medida em que submetia os interlocutores ao remédio amargo da ironia. E somente com ela a pessoa poderia recuperar a sua saúde mental, que seria o autoconhecimento.
Na verdade, o sentido da filosofia - que era a própria missão de Sócrates - nada mais era do que conduzir o sujeito a pensar. Os pensamentos agiriam como um bálsamo, um remédio que cura as feridas da ignorância.

Inventor da ética

Sócrates não estava mais preocupado com a origem do cosmos (como as pessoas no tempo da mitologia) nem com o elemento que seria a essência de tudo (como os pré-socráticos). Para ele, o fundamental era a reflexão sobre a vida da pólis (cidade), os costumes e comportamentos.
Juntos esses fatores formam o que os gregos chamavam de ethos (estilo de vida). Sócrates é, então, o inventor da ética. Ele foi o primeiro a questionar as ações humanas e os valores subjacentes a elas.

Julgamento

Por seu caráter desafiador e questionador, Sócrates foi considerado um inimigo da democracia ateniense e um elemento corruptor da juventude.

O relato de Platão

O relato do julgamento de Sócrates foi feito por Platão - apologia de Sórates - e é tido como bastante fiel aos fatos. Segundo a narrativa, o filósofo se manteve calmo durante todo o julgamento, dialogou com seus acusadores e, em nenhum momento, apelou para o pedido de clemência ou bajulação.
Quando foi condenado, Sócrates poderia ainda escolher uma pena, como o pagamento de uma multa, por exemplo. Mas ele preferiu que os próprios acusadores determinassem a pena. Aos 72 anos, ele foi condenado a beber cicuta (um tipo de veneno), mas antes disse: "Eis a hora de partimos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, exceto Deus."

Dignidade

Depois da sua condenação á morte, Sócrates ainda teve que esperar 30 dias pela execução da pena. Nesse período, o filósofo permaneceu na prisão, onde teve diálogo com seus discípulos e amigos. Muitos deles estão na obra Fédon, de Platão.
Um tema constante nesses diálogos é o significado da morte. Sócrates, porém, se recusou a defini-la ou temê-la. Na véspera de sua morte, os amigos lhe imploram que fuja, mas ele não aceita essa possibilidade. Segundo ele, a única coisa que importa é viver honestamente, sem cometer injustiças, nem mesmo em retribuição a uma injustiça recebida.

A última cena

Sócrates mantém-se fiel á sua consciência até o último momento, optando por aceitar a pena escolhida por seus acusadores, a morte. Na despedida, entram a mulher do filósofo, Xantipa, e seus filhos.
Sócrates permanece sereno até o final. Imperturbável, toma o veneno de um só gole. Os amigos ameaçam chorar, mas ele os conforta, pedindo que sejam fortes. Ao sentir os primeiros efeitos da cicuta, o filósofo se deita. Morreu em paz com sua consciência, fiel a si mesmo e aos amigos: preferiu morrer a admitir a culpa de algo que não tinha feito.




Revista GRÉCIA
Terra dos Deuses:  Os grandes Filósofos

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