quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Freud explica?


Explica.

A primeira ideia de Freud confirmada pela ciência é a de que os sonhos seriam restos do dia. Ou seja: algo que acontece com você de reverbera durante os sonhos. A comprovação científica disso foi feita em 1989 por Constantino Pavlides e Jhonatan Winson na Universidade Rockefeller. Ao observar cérebros de ratos, eles descobriram que os  neurônios mais ativados durante o dia continuavam a ser ativados durante a noite. Do mesmo modo, os neurônios poucos ativados durante o dia tampouco eram durante a noite. O que significa? “Significa, por exemplo, que, se uma pessoa teve hoje uma experiência marcante, a chance de essa experiência entrar em seu sonho é muito grande”, diz Sidarta Ribeiro, diretor de pesquisas do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra. “Se ela foi atacada por um tubarão, é provável que sonhe com tubarão. Se foi para a guerra do Iraque, nos próximos anos vai sonhar com guerra. Isso é o resto diurno levado ás últimas consequências.” Mas, como em nossa vida moderna ninguém tem experiências extremas todos os dias, os sonhos acabariam sendo uma mistura simbólica de um monte de coisas, como Freud havia previsto.
Você pode sonhar hoje com tubarão, amanhã com jacaré, depois com afogamento, simbolizando todos eles em uma mesma experiência.
Mas de onde viriam aqueles sonhos malucos, com cenas que você nunca viu?
Para a ciência, do seu inconsciente. É lá que estão guardadas as lembranças que você adquiriu ao longo da vida. Quando você dorme e começa a sonhar, seu sono entra na fase REM (sigla em inglês para Movimento Rápido dos Olhos). “O sono REM faz ovos mexidos com suas memórias. Ele as concatena de uma forma não comum”, diz Sidarta. Isso acontece porque o cérebro está em altíssima atividade nessa fase, mas não tem as informações sensoriais da vigília. Não conta com cheiros, imagens, sons nem outras informações que temos quando estamos acordados. A atividade sensorial está livre e vai onde quiser, seguindo os caminhos mais usados – que são as memórias mais fortes. Ou seja: seus sonhos com imagens aparentemente inéditas seriam apenas combinações de uma série de símbolos que você já conhece de outras experiências.


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