O que uns queriam que fosse. O que outros acham piada. E o que eu acho? Nada. Não tô aqui pra julgar.
Esses dias aqui no meu blog, elogiei a respeito do atendimento do Mc’ Donalds,
que eles me atenderam bem e tudo mais. E infelizmente vivemos num lugar chamado
Brasil que tem muita gente mal educada e quando aparece alguém que te trata com
respeito, seja onde for, ficamos muito gratos. Pelo menos eu fico. Mas e ai? O
fato de eu comer mc’donalds me torna uma pessoa superficial? Eu como Mc’
Donalds para supostamente mostrar algum status? Nunca. Mas pense o que quiser.
É errado este pensamento porque ás vezes nossas escolhas são muito circunstanciais, não significam que
elas nos definem. E também, o mc’donalds é tão parecido quanto o Subway, por
exemplo, ou o cachorro quente da esquina. Ai tu pode até chegar e me dizer “Mas
claro que não! O Subway tem sanduiche natural!” ;o;o
Puro marketing. Puro marketing meus caros. Porque o Subway também tem carne no
menu (mas sem criticar, só uma observação) É ilusão achar que qualquer outra
franquia alimentícia é melhor ou pior que outro no sentido capitalista/burguês/sem
agrotóxico/ sustentável blá. No fundo todas as franquias alimentícias queriam
ter a renda do Mc’ Donalds... Vamos deixar de ser hipócritas. Uma horta de
alface morreu de um lado, um boi morreu do outro (de uma forma meio grosseira
estou resumindo) “Ah, mas o boi não se planta, ele morre, ele sangra!” Do fundo
do coração eu respeito muito os vegetarianos, tenho pessoas na minha família
que são vegetarianos e eu acho isso muito correto, saudável e evoluído. Só que
eu, como carnívora, também defendo o meu lado dizendo que as plantas também
morrem. Não gritam, não sangram, mas morrem, pois são arrancadas do seu solo e
vão para o prato de alguém. “Ah, mas isso não justifica, porque eu replanto
cada coisa que eu como!” Pode não justificar, mas também posso responder da tua
forma dizendo que tem fazendas que fazem os animais procriarem aos montes, ou
seja, fazem um controle de natalidade a ponto de que a espécie não entre em
extinção. Tu não achas certo mesmo assim? Eu também não! Mas é a vida, meu caro
e enquanto não for crime comer carne, quero respeito assim como tu queres ser
respeitado.
Mas por que tudo isso, Stephanie? Porque esses dias, cara, ouvi um absurdo...
Estava saindo com alguém (não vou entrar muito em detalhes) e de repente ele me
diz que somos muito diferentes um do outro. (Mas eu não acho, exceto pela idade,
em fim). E nesse dia levei um lanche do Mc ao nosso encontro e ele seguiu
dizendo:
– “Somos muito diferentes, por exemplo, isso aqui (apontando para o lanche do
qual eu havia comido) isso não tem nada haver comigo”.
Francamente, essa foi um dos maiores absurdos que eu já ouvi na minha vida. Se
a ideia era demonstrar certa “superioridade” em filosofia de vida/alimentícia/
não havia necessidade de usar isto como justificativa, pois o que me indigna é
que eu raramente como Mc Donalds e logo naquele dia em que eu havia saído sem
almoçar do trabalho, estava apressada ao nosso encontro, ansiosa, decidi
comprar o Mc para acelerar... E no fim ouvir um absurdo desses.
É e talvez ele tenha razão, somos diferentes. Porque eu jamais falaria uma
bobagem dessas sem conhecer uma pessoa. Porque ele não me conhece. Assim como
eu não o conheço. E por isso mesmo acho ridículo ele fazer uma comparação
dessas. A diferença entre nós, é que eu não julgo sem conhecer. Aliás, não julgo. Não aponto o dedo para alguém
com base em “suposições” daquilo que eu vejo – como comer um Mc te faz um ser
humano podre/burguês. Eu como outras
coisas também, arroz integral, frutas que não são do Zaffari (o que é menos
pior que as outras) mas também como carne, não sou perfeita. Só não tenho
preconceitos com comida. Falo disso se a comida for o caso (mas não, é pior). Respiro
fundo... Ao mesmo tempo em que fico muito irritada e revoltada quando penso
nessa atitude de me julgar algo que eu não sou, mas também esse ponto de vista
me fez fazer algumas reflexões... Pois ao longo da vida nossos pais sempre
dizem “estude para ter o melhor, um bom trabalho, comer bem ter uma boa casa,
viver bem” essas coisas. E tu vais lá e faz a maioria delas, porque eles tiveram
uma infância difícil e nossos pais só querem o melhor para nós. Desejar aquilo
que não tiveram. E um dia tu vais lá e come um Mc’ Donalds e chega alguém e diz
pra ti que tu és uma pessoa muito capitalista e outras merdas por comer isso.
Se as pessoas conhecessem mais as outras, julgariam menos.
Posso não ser uma hippie vegetariana, que anda com os cabelos crespos e sem
maquiagem pela rua, mas tento ser o melhor de mim mesma. E acredite se quiser,
mas algumas garotas são vaidosas por natureza e não por estereótipos ou padrões
que a sociedade impõe na tua vida. A “ditadura da beleza”. Algumas mulheres só
se sentem bem, bonitas e seguras quando se arrumam, passam batom, arrumam o
cabelo, sei lá. Pra mim isso é beleza - quando uma mulher se sente bem consigo
mesma, se sente bonita, sorri com espontaneidade. O ponto é que parece que por
mais que tu leia muito, filosofe, veja noticias, desenhe, compartilhe a arte, a
informação, ame os animais assim como ama as plantas, não julgar ninguém, respeitar,
tentar sempre ajudar o próximo, ser pacifico, ouvir uma boa música, manter o
bom humor para com as pessoas ao teu redor, justo, compreensivo,
amigo, maduro diante de situações que vão contra ti, ainda sim tu vai ser
julgado por um tipo de pessoa que não é. E pior, julgado por um tipo que tu
ainda és contra.
De qualquer forma, ainda acho engraçada essa pessoa da qual eu estava saindo, pois
vive viajando pelo mundo a fora, e faz questão de publicar isso em rede social,
tentando sei lá, demonstrar algum status, gastando até mais que na sua própria
cidade e vim me julgar por um Mc Donalds?!... De duas, uma – Ou isso é uma
grande hipocrisia ou um pseudo alternativismo. Porque um cara evoluído para
mim, na essência, de se desprender das necessidades e desejos humanos, de Ter,
Ganhar, Conquistar, é só o mendigo da rua. Por quê? Porque esse sim pode me
julgar e dizer que sou escrava de um “sistema”. Agora uma pessoa que me parece
contraditória, diz uma coisa, mas faz outra, não tem toda essa moral para me
julgar. É o que eu acho. E se um dia tu conseguir se desprender de TODAS as
tuas vaidades, luxurias e desejos, até aquele copinho d’água antes de dormir,
tu me avisa e depois me conta.